INÍCIO O JORNAL GALERIAS TODAS NOTÍCIAS CIDADES QUERO VER NO JORNAL JORNAL IMPRESSO ANUNCIE AQUI CONTATO
INÍCIO O JORNAL GALERIAS NOTÍCIAS CIDADES QUERO VER NO JORNAL JORNAL IMPRESSO ANUNCIE AQUI CONTATO
Usinas goianas ampliam negócios com produção de leveduras
Agricultura

Usinas goianas ampliam negócios com produção de leveduras

Além de etanol, açúcar e bioeletricidade, indústria aproveita biomassa da fermentação para produzir ingredientes destinados principalmente à nutrição animal

A indústria bioenergética de Goiás vem ampliando suas estratégias de diversificação e agregação de valor. Além da produção de etanol, açúcar e bioeletricidade, usinas associadas ao Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg) também estão investindo na produção de leveduras e seus derivados, transformando a biomassa resultante do processo de fermentação em produtos destinados a novos mercados.

O movimento faz parte de uma transformação gradual do modelo tradicional de usina para um conceito mais amplo de biorrefinaria, no qual diferentes produtos são obtidos a partir da mesma matéria-prima e dos fluxos gerados durante o processo industrial.

A produção de leveduras é um exemplo dessa estratégia. Durante a fabricação do etanol, a fermentação realizada pela levedura Saccharomyces cerevisiae gera biomassa celular. Parte desse material pode ser recuperada e submetida a processos de tratamento, concentração, autólise ou hidrólise, dando origem a diferentes produtos comerciais.

A Denusa, Jalles, Caçu, Nova Galia e Boa Vista são exemplos entre as empresas associadas ao Sifaeg que investem nesse segmento. As companhias possuem unidade de produção de leveduras e trabalham com diferentes produtos, incluindo levedura inativa, autolisada e hidrolisada. 

Da fermentação para a nutrição animal

Entre as principais aplicações comerciais das leveduras produzidas pelas usinas está a nutrição animal. A levedura inativa seca, por exemplo, pode ser utilizada como fonte de proteínas e outros nutrientes na formulação de rações. Já produtos autolisados e hidrolisados apresentam componentes celulares que podem ter diferentes aplicações nutricionais e funcionais.

Outro produto de interesse é a parede celular da levedura, que concentra componentes como β-glucanas e mananoligossacarídeos. Esses ingredientes são utilizados em formulações de alimentação animal e vêm sendo estudados por seu potencial funcional, inclusive em espécies como peixes.

O mercado é amplo e acompanha o crescimento da produção mundial de proteína animal. As leveduras para alimentação animal são utilizadas em formulações destinadas a bovinos, aves, suínos, peixes, camarões e animais de companhia, dependendo das características do produto e da aplicação.

Além da nutrição animal, derivados de levedura também podem encontrar aplicações em alimentos, fermentação industrial e produção de ingredientes funcionais, abrindo possibilidades para que a indústria avance em mercados além daqueles tradicionalmente associados à produção de açúcar e etanol.

Mais valor para a mesma matéria-prima

Para o setor, a produção de leveduras representa uma oportunidade de diversificar receitas e aumentar o aproveitamento da biomassa gerada na própria usina. A lógica é relativamente simples: a mesma cana-de-açúcar que entra na indústria pode gerar diferentes produtos, e cada nova aplicação aumenta o valor econômico extraído da matéria-prima.

“A indústria de bioenergia está cada vez mais preparada para aproveitar integralmente os recursos disponíveis no processo produtivo. A produção de leveduras é um bom exemplo de como uma usina pode diversificar sua atuação, agregar valor e acessar novos mercados a partir de um material que já faz parte do processo de fabricação do etanol”, afirma André Rocha, presidente executivo do Sifaeg e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg).

Segundo ele, esse movimento reforça a evolução tecnológica do setor. “Estamos falando de uma indústria que produz combustível renovável e energia, mas que também amplia seu portfólio para ingredientes, insumos e outros produtos de maior valor agregado. É a lógica da biorrefinaria ganhando espaço no setor”, acrescenta.

Um novo perfil para as usinas

A diversificação acompanha uma tendência internacional de transformação das plantas de bioenergia em unidades industriais capazes de produzir uma variedade cada vez maior de produtos.

No caso brasileiro, a disponibilidade de cana-de-açúcar e a experiência acumulada pela indústria em processos de fermentação criam condições favoráveis para o desenvolvimento de novas aplicações para a biomassa. 

Para o Sifaeg, iniciativas como a produção de leveduras demonstram que competitividade e sustentabilidade podem caminhar juntas. Ao encontrar novas utilizações para os materiais gerados durante o processo industrial, as empresas ampliam a eficiência do sistema e criam fontes de receita sem depender exclusivamente dos mercados tradicionais.

 

Comunicação e Marketing Sifaeg/Sifaçúcar

(62) 9 9978-2910

FOTOS